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Archive for the ‘anitápolis’ Category

www.bracodonorte.com – Audiência Pública sobre Projeto Anitápolis

Um ônibus será disponibilizado para aqueles que têm interesse de participar da Audiência Pública sobre o Projeto Anitápolis (Fosfateira), que ocorre na quinta-feira, dia 16, em Florianópolis.

A saída será às 13 horas, no Posto Leão do Trevo, ao preço de R$ 20 por pessoa. Para participar ou obter outras informações entrar em contato com Constantino, através do (48) 9972-4795.

Assessoria de Imprensa/Publimarketing

Extração de fosfato ameaça Mata Atlântica catarinense

Estudiosos acreditam que instalação de mina e fábrica pode danificar o meio ambiente e gerar riscos à saúde da população local

Por Isis Nóbile Diniz

VISTA PROJ2 Pesquisadores e ambientalistas estão preocupados. Cerca de 10% do fosfato explorável no Brasil está localizado em um grupo de montanhas no interior de Santa Catarina. Para extrair a matéria prima e transformá-la em fertilizante, as multinacionais Bunge e Yara pretendem instalar uma mineradora e uma fábrica na região. Será necessário, para tanto, desmatar aproximadamente 300 hectares de Mata Atlântica, o que equivale a 550 Maracanãs. Além disso, estudiosos dizem que a saúde da população e a agricultura podem ser prejudicadas. O local também é importante para o abastecimento de água de 21 municípios.
A Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), que pertence à Bunge e à Yara, adquiriu cerca de 1.760 hectares em Anitápolis, município com cerca de 3 mil habitantes. O local é o único no Sul do Brasil que possui fosfato e será explorado por 33 anos. A mata nativa dará lugar a uma mina a céu aberto e a uma fábrica que usará a matéria prima na produção de um tipo de fertilizante. Também será construída uma barragem de rejeitos que abrigará outros minerais retirados do solo, mas sem utilidade para a empresa.

Vale catarinense A região de Anitápolis, onde está planejada a instalação da fábrica de fosfato e da mineração. A floresta nas encostas é um dos remanescentes de Mata Atlântica de Santa Catarina

A produção do fertilizante exige fosfato, ácido sulfúrico e enxofre. Este será importado pelo porto de Imbituba e transportado até Anitápolis por caminhões. Em seguida, o produto final será levado via rodoviária até Lages, distante 164 km. Na cidade, um galpão armazenará o fertilizante antes de ser distribuído para a região Sul. O empreendimento prevê investimento de R$ 400 milhões. Calcula-se que gerará cerca de R$ 2,5 milhões anualmente como arrecadação municipal e R$ 7,5 milhões irão para os cofres estaduais e federais.
A IFC será construída dentro da bacia hidrográfica do rio dos Pinheiros, que faz parte da bacia hidrográfica do rio Braço do Norte, formada por 19 rios nos municípios de Anitápolis, Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Grão Pará, Braço do Norte e São Ludgero. De acordo com a Fundação de Meio Ambiente (Fatma), órgão ambiental do governo de Santa Catarina, os possíveis impactos negativos da operação da empresa prejudicarão somente Anitápolis. O fósforo que possivelmente alcançar as águas não deve ter impacto significativo na fauna e na flora aquáticas. Para o órgão, apenas a barragem de rejeitos apresenta riscos. “Tecnicamente, é impossível falar que não existe risco. Toda e qualquer obra de engenharia apresenta riscos”, segundo documento emitido pela Fatma.

Risco ambiental Simulação feita pela ONG Montanha Viva de como seriam os reservatórios de contenção do material contaminado. Os ambientalistas estão preocupados porque as barragens, localizadas no alto das montanhas, poderiam se romper ou vazar

Os procedimentos de licenciamento ambiental tiveram início em 2005. E, no primeiro semestre de 2009, a empresa conseguiu a Licença Ambiental Prévia (LAP) concedida pela Fundação. Para poder iniciar as obras, a IFC precisa cumprir as exigências feitas pelo órgão. Depois, adquirir a licença de instalação e de operação. Foram solicitados trinta programas ambientais. Entre as exigências está a conservação e o enriquecimento da vegetação em cerca de 80% da terra adquirida pela empresa. “Esse foi um dos projetos mais complexos e estudados pela Fatma”, afirma Murilo Flores, presidente da fundação.
Alguns ambientalistas e pesquisadores discordam do órgão. “Antes de tudo, 300 hectares de Mata Atlântica bem conservados no Sul são relevantes. Ainda mais nesse caso, em que eles protegem a encosta de deslizamentos como os que ocorreram depois das chuvas no ano passado”, afirma Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Proteção Ambiental (SPVS). De acordo com Eduardo Bastos Lima, advogado da ONG Associação Montanha Viva, outros 100 hectares de mata nativa darão lugar a uma nova linha de transmissão de energia elétrica. “Anitápolis fica entre a Serra do Tabuleiro e a Serra Geral, um corredor verde importante. O projeto afetará a circulação e o desenvolvimento dos animais”, diz Jorge Albuquerque, biólogo e presidente da ONG. “Para piorar, o local possui nascentes e é a cabeceira do Rio Braço do Norte. Todo o mundo está em busca de água e aqui eles pretendem destruir esse bem natural”, afirma.
O principal questionamento dos pesquisadores é relativo à saúde da população. A barragem de rejeitos construída acima do nível da cidade pode contaminar a água ou, na pior hipótese, estourar e inundar municípios. A mineração a céu aberto e o manuseio do fosfato podem comprometer os recursos hídricos da região atingindo, inclusive, Florianópolis. O químico Ismael Bortoluzzi, presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), afirma que, se o fosfato atingir a água em grande quantidade, seu tratamento será mais difícil. “Os morros de 600 metros também poderão sofrer de erosão nas encostas”, diz.
Por causa das questões ambientais e de saúde, a Associação Montanha Viva protocolou uma ação no judiciário pedindo a anulação da Licença Ambiental Prévia (LAP) que lista 59 itens questionáveis sobre o projeto. Entre eles estão: a interrupção do curso do Rio Pinheiros, o aumento da taxa de erosão do solo, a deterioração da qualidade do ar, o risco de contaminação do solo e rios. “A empresa fala que o impacto é localizado desconsiderando o risco para bacia hidrográfica”, afirma Lima. Procurada pela reportagem de ÉPOCA, a empresa não se pronunciou sobre as críticas à obra.
Como solução, Albuquerque propõe que a região seja destinada ao ecoturismo. E que a empresa invista em produção de fosfato por meio do dejeto suíno. “Esse é o sonho catarinense, mas, na prática, o custo seria alto porque a criação de porcos está espalhada em pequenas propriedades”, diz Flores. Devido ao retorno financeiro e à necessidade de obter a matéria prima, talvez seja inevitável a instalação da mina e da fábrica. “Esse é o grande problema do desenvolvimento sustentável. Se a fosfateria é estratégica para o Brasil, devemos minimizar os prejuízos”, afirma o presidente da Fatma. Para Bortoluzzi e Borges, o projeto é aceitável desde que se minimizem os riscos e seja feita uma compensação “pesada”. “Por exemplo, a empresa pode destinar 10 mil hectares para a preservação do meio ambiente. Porque explorar sem limites não é sinônimo desenvolvimento”, diz o diretor da SPVS. “Tenho uma filha pequena. Espero que ela veja como as montanhas de Anitápolis cobertas por Mata Atlântica são lindas”, diz Albuquerque.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI80423-16270,00-EXTRACAO+DE+FOSFATO+AMEACA+MATA+ATLANTICA+CATARINENSE.html

Uma mão dá outra tira – O Estado de SC receberá R$ 535 milhões do Governo Federal

Segundo o Diário Catarinense do dia 10 de junho de 2009, o Estado de SC receberá R$ 535 milhões do Governo Federal para combater cheias. É menor do que o valor que a Bunge está recebendo do BNDES para implantar a fosfateira em Anitápolis, destruir a Mata Atlântica e colocar em risco vários Municpios. Pelo menos Tubarão está contemplado, talvez de fato, precise.

A mão que dá é a mesma que também tira. Talvez seja a nova modalidade de compensação ambiental.

Os outros municipios que fazem parte da Bacia Hidrografica poderiam correr atrás e pedir sua parte para que sabe quando precisar já ter a fonte orçamentária disponível.

Eduardo Bastos, Advogado

Polêmica: Saulo Weiss, prefeito de Anitápolis defende a instalação da Mineradora IFC

Na região, um movimento para barrar a mineradora começa a formar-se

Anitápolis
Enquanto o movimento contra a instalação da Indústria de Fosfato Catarinense (IFC) cresce nos municípios da região do Vale do Braço do Norte, o prefeito de Anitápolis, Saulo Weiss (PMDB), sai em defesa da empresa que pretende explorar uma mina de fosfato no município. Ele afirma que visitou outras cidades com mineradoras instaladas e verificou que o turismo e a economia sustentável no entorno da exploração fez estas cidades crescerem significativamente.
Segundo Weiss, a prefeitura de Anitápolis tem acompanhado de perto todo o trabalho de licenciamento ambiental da IFC, cujo trabalho é conduzido pela Fatma, e tudo é feito dentro da legalidade. O prefeito salienta ainda que uma pesquisa para saber a opinião do cidadão foi feita na cidade. “Setenta e dois por cento da população defende a instalação da indústria, 14% não opinaram e outros 14% disseram não ser contra ou a favor”, pontua o prefeito.
Weiss pede cuidado ao falar sobre o projeto. Segundo ele, existem grupos que desconhecem a idéia e pregam algo fora do real contexto. “Estão alarmando e aterrorizando a população da região por não conhecerem a proposta”, defende o prefeito. Ele pontua ainda a rigidez das leis ambientais para a instalações de empresas como a IFC. “Desde 2005 são feitos relatórios, inclusive os de impacto ambiental. Além disso, foram promovidas audiências públicas em Anitápolis, onde todos os fatores que competem à obra, além das questões relacionadas ao meio ambiente, foram esclarecidas”, relaciona o prefeito.

Fonte: Notisul – www.notisul.com.br