Brasília – A senadora Ideli Salvatti (PT) afirmou nesta terça (7) que qualquer alteração que venha a ser feita na distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) deve considerar as diferenças entre as regiões. Segundo ela, o critério linear de atender de maneira igual um município com 500 mil habitantes de um com apenas dez mil habitantes provoca distorções. “Não é justo porque qualquer medida linear poderá beneficiar os grandes municípios e não os pequenos”, disse.
A secretária da Receita Federal do Brasil, Lina Vieira, afirmou durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para debater a diminuição dos recursos do FPM transferidos da União para os municípios, que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um dos tributos cujo percentual é destinado ao FPM, teve as alíquotas reduzidas para veículos desde o início do ano e para material de construção a partir de abril. Com essa alteração, a arrecadação deverá atingir R$ 40 bilhões até o fim do ano, enquanto a previsão inicial era de 44,9 bilhões. “Mas medidas para compensar as perdas dos municípios serão anunciadas em breve”, garantiu.
Ideli destacou que na distribuição dos recursos do fundo, é necessário observar as pequenas cidades, e citou que a população em 55,4% dos municípios do Nordeste é de até dez mil habitantes. Na região Norte, esse percentual é de 42,6% e, na região Sul, de 46,1%. “Qualquer alteração no fundo dos municípios, portanto, deve levar em consideração as diferenças regionais e o tamanho de cada cidade”, afirmou.
Em relação à queda dos valores repassados pelo FPM aos municípios, Ideli lembrou que os três primeiros meses do ano sempre apresentam redução do total de recursos tranferidos. “É um movimento sazonal, reconhecido inclusive pela Confederação Nacional dos Municípios, a CNM”, disse.
Para fundamentar sua afirmação, a senadora mostrou várias tabelas com os valores e percentuais do FPM, cuja conclusão é a de que em termos anuais, desde 2004 até 2008 o FPM cresceu constantemente. Ideli também rebateu o discurso da oposição de que o FPM tem caído muito.
Segundo ela, se olhar exclusivamente para janeiro deste ano, por conta da crise e pelo fator sazonal, a queda de 41,8% do FPM pode assustar. Porém, esse percentual de queda é comparado com a arrecadação elevada de dezembro de 2008, quando as transferências do FPM cresceram 63,8% e totalizaram R$ 6 bilhões. Em janeiro de 2009, os repasses foram de R$ 3,5 bilhões, 2,9% menor do que em igual período do ano anterior. Em fevereiro deste ano, os valores repassados somaram R$ 3,3 bilhões e a expectativa para março é de R$ 2,7 bilhões.
No acumulado de janeiro a março de 2009, os repasse de FPM correspondem a R$ 9,5 bilhões. Esse valor corresponde à metade do que o governo repassou durante os doze meses de 2002 e R$ 400 milhões a mais do que foi repassado de janeiro a dezembro de 1996. “Para entender a situação dos repasses, deve-se analisar a série histórica dos valores do FPM. Aliás, em 2007 o governo Lula sancionou emenda constitucional garantindo 1% para os municípios”, disse Ideli.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) lembrou que o governo passado não recebia os prefeitos no Palácio do Planalto. “Nós tínhamos que pedir audiência para levar um ou outro prefeito para falar com o presidente. E o mérito do governo atual é do presidente Lula, que recebe bem e tem feito muito para ajudar”, afirmou.
A audiência pública contou com a presença da secretária Lina Maria Vieira, da Receita Federal do Brasil; da deputada Rose de Freitas, relatora da Medida Provisória nº 457/09, que propõe alterações no refinanciamento das dívidas das prefeituras; de Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e de João Paulo Lima e Silva, presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP).
Fonte: Agência Brasília
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